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Dor, Conformismo e Ativismo

  

Nós, Espíritas, sabemos que o perispírito, entre outras funções, é o responsável pelo registro energético de nosso trânsito pela Lei Divina ou Natural. A medida de nossa vivência, a cada ação na relação com a natureza e com nossos semelhantes, vamos provocando “registros” positivos ou negativos, na forma de “ajustes” energéticos nos centros de força, principais e secundários, no perispírito .

Esse processo é o responsável pela aplicação automática da Lei de Causa e Efeito, sendo o instrumento perfeito da Justiça Divina quanto ao uso de nosso Livre Arbítrio. Temos o direito absoluto de fazer o que quisermos e, quando o fazemos, podemos dizer que “plantamos sementes energéticas” em nosso perispírito. E derivado do direito de exercer com total liberdade o livre arbítrio, adquirimos a obrigação inalienável de “fazer a colheita da safra que plantamos”.

É evidente que se plantarmos “boas sementes”, colheremos “bons frutos”. Se plantarmos “sementes ruins”, colheremos “frutos ruins”. Se transitarmos em conformidade e ajustados com a Lei Natural, adquirimos registros energéticos positivos, ou seja, que “ajustam” nossos centros de força para atraírem, absorverem e metabolizarem boas energias.  Na vida presente isso significa maior equilíbrio espiritual, maior equilíbrio orgânico e sintonia com espíritos mais elevados. Na encarnação seguinte, significará um melhor ajuste orgânico e “provas” mais suaves e/ou maior força para ultrapassá-las.

Em contraparte, se transitarmos em desarmonia com a Lei Natural, infracionando-a, adquirimos registros energéticos negativos, ou seja, que ajustam nosso centros de força para sintonizarem, absorverem e metabolizarem energias de “baixo padrão” ou “desequilibradas”. Isso, na vida presente, significa menor equilíbrio espiritual, tendências ao desequilíbrio orgânico e sintonia com espíritos mais atrasados e problemáticos. Na encarnação seguinte significará um corpo com mais desajustes orgânicos e “provas” mais “doloridas”.

O fato é que o registro energético que realizamos em nosso perispírito, afeta a encarnação presente e também a futura ou mesmo “as futuras”. O perispírito é o verdadeiro “mapa reencarnatório”, pois contém o registro exato e preciso das energias que geramos e movimentamos (- ação - ), o que corresponderá, pela Lei de Causa e Efeito, a intensidade e qualidade dos efeitos energéticos (- reação -) que sofreremos (receberemos). Como na reencarnação estaremos também no plano material, essas energias e efeitos também irão se apresentar nessa realidade material.

É preciso lembrar que somos uma  “unidade” formada por três grandes componentes interligados e interdependentes: corpo, espírito e perispírito. Assim sendo, cada componente afeta e é afetado pelos outros. Energias afetam o corpo e vice-versa. Energias afetam o mental/espiritual e vice-versa. O mental/espiritual afeta o corpo e vice-versa.

Também temos que nos lembrar que, em termos energéticos perispirituais (vibratórios), semelhante atrai semelhante. No processo encarnatório/reencarnatório, nosso “padrão energético”, característica da somatória dos registros energéticos que temos em nosso perispírito, nos fazem “gravitar” em torno de ambientes e espíritos que sejam energeticamente semelhantes. Também atrai para nos “orbitar” espíritos e “energias” de padrão equivalente.

Com essa análise, nos parece ficar claro de que o registro energético no perispírito contém a verdadeira “programação de reencarnação”, pois determina os ajustes orgânicos (o perispírito mapeia o desenvolvimento do corpo físico) que necessitamos para nossas “provações” e nos insere no meio social adequado para ficar em contato com o tipo de energia com que “afinizamos”. Com o transcorrer do processo encarnatório (vida na matéria), nosso “balanço energético” fará com que sejam atraídas as “energias correspondentes”, que se manifestarão por conseqüências orgânicas e/ou materiais, que poderão ser “boas” ou “ruins” de acordo com nossos registros.

Quando falamos em “balanço energético”, é necessário perceber que a aquisição de registros energéticos não cessa, ou seja, podemos adquirir novas “cargas”, positivas ou negativas. Como energias de cargas contrárias se anulam, nosso balanço (saldo) será de “boas energias” ou de  “energias ruins”, dependendo do que predomina em nossa vida.

É importantíssimo destacar que as “cargas negativas” só são eliminadas se substituídas por “cargas positivas”. Essa é a nossa verdadeira “provação”, o verdadeiro “resgate”. Os registros energéticos não se “gastam” ou “desgastam” por si só ou pela dor. É necessário e imprescindível, apesar da dor, que as cargas negativas sejam substituídas por cargas positivas.

Lembremo-nos ainda que, como os centros de força primários e secundários são fixos, as cargas que os “ajustam” só podem ser substituídas por outra de  “qualidade” contrária (em qualquer sentido). Isso quer dizer que também as cargas positivas podem ser substituídas por cargas negativas, se infracionarmos as Leis naturais. Por isso Kardec colocava: “Vigiai...”, para evitarmos as “recaídas energéticas”.

Isso nos mostra que temos que ser ativos na prevenção de problemas presentes e futuros, buscando constantemente o equilíbrio e a absorção de boas energias, jamais nos conformando com a dor e o sofrimento, que significam apenas que falhamos no nosso “balanço energético”, e nos aponta que, apesar da dor, devemos rapidamente aumentar a absorção de “cargas positivas”, para neutralizar aquelas que nos trazem a dor, a provação e o sofrimento. E isso só pode ser obtido pela prática do bem em todas as suas formas de expressão.

Sejamos, portanto, ativos, proativos e lutemos contra a dor com o melhor dos remédios: o bem e o amor.

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Autor: Carlos Augusto Petersen Parchen
c_a_parchen@yahoo.com.br

www.carlosparchen.net

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