
O Reino de Deus
O jovem
carpinteiro fundou um Reino. O maior e mais poderoso dos reinos, embora fosse pobre de
valores materiais, pois aí está a diferença dos demais reinos. Todos sugerem acúmulo
de bens. Este, porém, é um reino de valores interiores, protegidos contra todos os
possíveis danos que possam destruí-lo. Quem o constrói dentro de si constrói para
sempre.
Apresentando-se na
Sinagoga, perante seu povo, declarou Ter vindo em nome do Pai para anunciar e implantar o
Reino de Deus no coração dos homens. Comparou este Reino ao grão de mostarda, ao
fermento, a um tesouro escondido, a uma pérola, a uma rede para peixes e ao trigo que
cresce no meio do joio... Seu Reino fundamenta-se em tres alicerces: Deus, Amor e
Justiça. Ora, se já compreendemos que Deus é Amor conforme ensinou o evangelista, vamos
estudar seu desdobramento: amor e justiça.
Para o estudioso
mais atento, há comentários muito edificantes de Emmanuel em seus livros Caminho, Verdade e
Vida (capítulo 107) e Vinha de Luz
(capítulo 177) e ainda a resposta à questão 673 de O Livro dos
Espíritos,
embora não se refira ao assunto, traz comentário importante sobre esta postura para
implantação do Reino de Deus nos corações.
A questão toda,
como apresenta Neio Lúcio no livro Jesus no Lar, capítulo 36, é que se cada um estivesse vigilante da
própria tarefa, não colheriam as sombras do fracasso. O mais intricado problema do
mundo, é o de cada homem cuidar dos próprios negócios, sem intrometer-se nas atividades
alheias. Enquanto cogitamos de responsabilidades que competem aos outros, as nossas
viverão esquecidas.
É que o Reino de
Deus é uma construção interior, com valores reais das virtudes que precisam ser
conquistadas a custo do esforço próprio. E isto exige coragem, determinação,
perseverança.
Desde já
precisamos nos apressar em desligar o criticador
e parar com os hábitos da achologia,
onde muitos acham isto ou aquilo, mas consideram ser dever do outro fazer. Achamos, damos
opiniões e palpites, mas deixamos de fazer o que nos compete. O Reino de Deus se inicia
no coração do homem, com os valores da bondade e da fraternidade. Quando destruímos uma
idéia ou temos postura pessimista, estamos criando o reino da descrença, da crítica e
por aí afora.
Para alcançar o
Reino de Deus no coração, quatro condições são essenciais: a)libertação pelo
auto-conhecimento; b)humildade para perceber nossas imperfeições; c)persistência no
bem; d)crescimento espiritual. Todos conquistas do esforço próprio, que exigem no
mínimo iniciativa que deve ser acompanhada pela perseverança.
Em seu livro,
Parábolas e Ensinos de Jesus, Cairbar Schutel comenta no capítulo A palavra de vida
eterna, que a imortalidade é a luz da vida; ela é a alma da
nossa alma; a esperança da nossa fé; e a mãe do nosso amor. Sem imortalidade não pode
haver alma, sem alma não há esperança, fé, amor; e sem esperança, fé e amor tudo
desaparece de nossas vistas: família, sociedade, religião, Deus!
A imortalidade é a
base, o alicerce, a rocha viva ... E recomenda: Urge, pois, que
busquemos, primeiramente, a imortalidade, para crermos firmemente na palavra de Jesus.
Urge que estudemos a imortalidade, que conversemos com a imortalidade, que ouçamos a
imortalidade com seus substanciosos ensinos, a fim de, firmes e resolutos, orientarmos a
nossa vida, regularmos os nossos atos na senda religiosa que nos foi traçada.
Sem aprofundamento
percebe-se com clareza os efeitos da incredulidade no mundo, ou até da ausência de
interesse na busca de informações e estudos sobre a questão. Aí estão os difíceis
quadros sociais a desafiar o homem. E mais interessante que este implantar do Reino dos Céus no coração, como propôs Jesus
modifica o ambiente, as circunstâncias ao redor, favorecendo a todos com a harmonia e paz
que lhe é próprio.
A própria
vivência interior deste Reino,
ajuda a modificar o panorama exterior. Já imaginou o leitor quando cada habitante do
planeta esforçar-se por esta vivência? Teremos o mundo modificado, como desejamos.
Fácil? Não!
Individualmente já é um grande desafio, imagine coletivamente falando, com a diversidade
de estágios evolutivos que vivemos. Mas é a única alternativa para a construção da
paz interior e social, que tanto almejamos.
Orson Peter
Carrara
orsonpeter@yahoo.com.br
- www.orsonpcarrara.rg3.net